Porque é preciso SIM jogar confete nos pais que cuidam

Esses dias foi notícia uma quebrada de clima que uma psicanalista deu no programa da Fátima Bernardes.
Ao ver pais sendo elogiados por serem participativos com as crianças e as tarefas domésticas, a convidada fez questão de ressaltar que não faziam mais que a obrigação e por isso não era certo jogar confete nesses pais. Eu não tive a sorte disso acontecer no dia que fomos entrevistados. Gostaria muito que ela lesse o que vou escrever hoje, embora saiba que dificilmente vai chegar. Então, leiam vocês 🙂

Semana passada fui a um evento de startups e tinha um painel chamado “Mulheres na Tecnologia”. Foi um momento muito interessante da conferência quando grandes empreendedoras explicaram sobre seus negócios (produtos infantis, petróleo, investimentos, comércio eletrônico) e contaram um pouco sobre suas “aventuras” num universo predominantemente masculino. Em eventos como esse, muita gente – inclusive eu mesmo – questiona

“Mas pra que fazer uma trilha de mulheres? Se a mulher é boa chama ela no meio dos palestrantes homens ué!”.

Embora faça algum sentido, o espaço destacado para mulheres tem um papel importantíssimo: motivar aquelas que ainda estão presas a velhos conceitos e mostrar a elas que a vida pode ser diferente. É polêmico, mas uma das entrevistadas (que infelizmente não lembro qual era) matou a pau quando perguntada sobre a necessidade desse tipo de painel:

“Enquanto for polêmico, é necessário. Meu sonho é que daqui um tempo falar que vai ter um painel sobre mulheres na Tecnologia soe tão ridículo quando um chamado ‘Mulheres que Votam’. Seria ridículo porque isso está totalmente superado em nossa sociedade. Tudo que ainda não está, é tão polêmico quanto necessário.” – Esta fala me convenceu totalmente sobre a necessidade deste tipo de coisa.

Voltando a psicanalista da Fátima Bernardes: sim, é necessário que se jogue confete em nós, os participativos. É claro que não fazemos mais que nossa obrigação, mas a exemplo das Mulheres na Tecnologia, é necessário que continuem nos chamando pra programas de TV, revistas, canais de youtube e tudo mais para que os inertes percebam

como somos legais
como conseguimos fazer isso
como não viramos viados depois de trocar 2 fraldas e lavar uma louça
como é legal ser como nós, enfim

Não é pra distorcer as coisas e fazer o homem ser de novo o herói da parada, mas sim pra inspirar outros. É pra fazer os machões colocarem a mão na consciência e ver como seria bom se eles deixassem de ser otários. Se pra essa senhora é assunto superado, bom pra ela. Mas pro mundo que a gente vive, só podemos deixar de aparecer na TV quando for tão ridículo quanto convidar caras pra falar sobre a experiência de usar brinco.

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7 comentários sobre “Porque é preciso SIM jogar confete nos pais que cuidam

  1. Enquantp houver esse cabo de guerra ridículo, não sairemos do lugar. Se tem homens mudando a forma de lidar com a paternidade, temos que falar deles SIM.

  2. Talvez o que a psicanalista queira dizer é que o homem hoje em dia não precisa de inspiração e sim vergonha na cara para saber que nao casou com uma baba ou empregada doméstica e muito menos com a mãe dele. Dividir o trabalho domestico com a mulher não é um favor e sim obrigação. É ter bom senso, respeito e consideração com a pessoa escolhida para dividir uma vida. A culpa sempre será dos dois: do homem machista e da mulher que se submete a isso sem se impor.

    1. Oi Jaqueline.
      Sim, foi isso que ela quis dizer. Eu não diria que ela está errada, só um pouco apressada. São gerações e mais gerações aprendendo que quem limpa é a mulher. Pra quem nunca teve o exemplo em casa, as vezes a ficha demora a cair. Não é questão de relevar acomodação ou machismo, mas de falar do que acontece na vida real. Tem cara que só se liga quando vê outros caras fazendo. Seria ótimo não precisar disso, mas ainda precisa. “Mulheres que votam”, lembra? Abraço!

  3. Flavio, no meu caso sou casada com um homem que foi criado por uma mãe machista. O pai dele sempre a ajudou nos momentos em que a empregada nao estava porém ela nunca deixou os filhos fazerem nada. No comeco do casamento eu nao cobrava mas tambem nao fazia nada rs. Só que agora tenho uma filha de quase 3 anos e estou gravida de outra menina( 7 meses) e chegou a um ponto em que nao tem como esperar a ficha cair, ficar dando indireta ou culpando os antepassados. Agora é ou ajuda ou conclui de uma vez que nao nasceu pra constituir uma familia e que volte para os braços da mamãe. Talvez seja a gravidez que esteja me deixando sem paciencia pois estou morrendo de medo de nao dar conta de duas crianças, por isso a pressa rs. Por favor escreva sempre. Adoro ler seus textos e mesmo que em algum momento nao concorde com o que escreve entendo seu ponto de vista. Abraço!

    1. Oi Jaqueline.
      Eu fui criado como seu marido: sem saber nada sobre tarefas domésticas com uma mãe que fazia tudo.
      Conheço de cabo a rabo o que é sair da posição acomodada e chegar a rotina de faxinar, cozinhar, lavar banheiro e tudo mais. O começo é duro porque a gente realmente NÃO PERCEBE o que tem que ser feito e se percebe não considera que tem que agir.
      Eu sugiro que vc comece conversando com ele claramente sobre a necessidade de dividir, deixe ele escolher as primeiras coisas que acha que dá conta e vá ensinando. Se vocês tiverem paciência um com o outro, dá certo. Em 2 meses tenho certeza que ele aprende o suficiente pelo menos pra te dar um pós-parto mais tranquilo.
      Me manda e-mail ali pelo “fale com o Flávio” se achar que eu posso ajudar no processo. Abs.

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