Como parar de apanhar do seu filho

Lutinhas.

Quem é pai de menino sabe bem que faz parte da vida ser sparring* de versões miniatura de homens-aranha e capitães américa em casa.

“Pai, vamos brincar de lutinha?”

Quem tem um moleque em casa também conhece bem aqueles malditos vídeos do youtube onde uma salada de personagens fica percorrendo um mundo de videogame pulando, voando e atirando carros em precipícios. O Mickey pode correr em parceria com o Hulk e o Olaf.
Um descuido e surgem vídeos mal feitos de gente muito esperta vestida de herói e vilão, simulando lutas toscas e amealhando milhões de cliques.

Quando começou essa história de brincar de dar porrada eu fiquei numa baita dúvida se permitia ou não.
Isso vai dar ruim?
Ele vai ficar violento?
Vou reprimir o dom do novo Bruce Lee ocidental?

Resolvi criar um regulamento: Só pode luta com o papai, não vale acertar a cara nem o pinto e quando disser chega é chega.

Foi uma boa. Volta e meia ele se achava o justiceiro da sala de TV e partia decidido a me derrotar. Descarregava uns socos e uns bicudos, tomava uns prestenção de leve, se cansava e quase sempre tudo ficava bem. Às vezes pequenos acidentes acabavam em choro.
A dúvida continuava se eu tava fazendo coisa boa, se devia procurar um taekuondo-fraldinha ou ensinar a ele sobre meditação.

Aí um dia aconteceu uma coisa: o tablet (que eu comprei pra estudar e acabou virando passador de desenho), caiu no chão e quebrou. Fiquei puto, putasso, com azia de tão puto, mas não foi culpa de ninguém. Simplesmente caiu do braço do sofá. Vai demorar pra poder consertar ou comprar outro, então só guardamos.

– Pai, quero tablet
– Quebrou
– Deixa eu ver?
– Ó!
– hummm

Isso se repetiu algumas vezes até que ele se ligou que a coisa estava mesmo fora de combate. Literalmente, porque com isso lá se foi o youtube e suas lutas.
Sabe o que aconteceu? Aos poucos a lutinha na sala foi dando lugar ao quebra-cabeças, bola e parque. Não é um experimento científico. Não prova nada e pode ser até uma coincidência. Mas o fato é que parar de ver maluquice na internet mudou os hábitos da brincadeira.

Semana passada foi derrotado o primeiro adversário de 60 peças.

(*)Sparring é aquele cara que é pago pra ficar apanhando do lutador nos treinos.

Ah, antes que eu me esqueça, finalmente vou lançar meu livro!!!
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