Escolinha… normal?

Veio o o novo emprego. Emprego normal, em horário normal. Me empurrando pra ser um pai normal.
Pais normais colocam seu filho em escolinha. Pais normais precisam ganhar dinheiro no horário comercial e gastar boa parte dele terceirizando o cuidado com seus pequenos.

Depois de tomar um “não” super normal na creche pública por falta de vagas, pesquisamos outros lugares normais, com cuidados normais, tocados por pessoas normais. Achamos alguns…

…que deixavam as crianças na frente da TV
…que cobravam 1/3 do meu salario
…que serviam bolinho de chuva e pastel a crianças de 2 anos
…que trocavam a brincadeira por um CULTO evangélico (com direito a uma musica bizarra que dizia que pra cuidar do piu-piu porque era de deus).

Optamos pelo que parecia mais normal e que acomodava nosso salário normal.

Sempre ouvi dizer que no primeiro dia de escolinha quem choravam eram os pais. De saudade, remorso ou fraqueza que fosse, mas choravam. Ouvi que passa, que é normal.

E eu, o pai do Turno do Dia, num esforço pra ser normal deixei lá meu guri. Sem choro dele nem meu. O que teve foi curiosidade dele e raiva minha.
Raiva da vida ser assim, de ter que batalhar o maldito dinheiro normal enquanto meu guri fica sob cuidados de desconhecidos.

Tenho a sensação que não vai passar. Eu não consigo ver vantagem em deixar uma criança de 1 ano passar 60% do tempo longe dos pais. Aqueles 60% da minha planilha, lembra? Aquela fatia de cuidados que dava orgulho de botar minha mão de pai.

Terceirizei. Perdi. Odiei.

“É normal”.

6 Replies to “Escolinha… normal?”

  1. :/ Eu sempre fiz o normal (mãe solteira, sozinha, abandonada pelo pai), não tive opção, mas olho para ele hoje com 8 anos e sinto uma dó, uma pena, por não ter vivido mais tempo com ele, por não ter vivido ele porque precisávamos viver. :/ É normal, mas não é natural.

  2. É difícil, mas pense pelo lado bom, não veja só o ruim. O seu filho vai adquirir novas habilidades, aprender a conviver com outras crianças, a dividir, a brigar, a ganhar e a perder. Apesar da gente não querer que os pimpolhos nunca saiam dos nossos braços, é inegável que as escolas também trazem grandes conquistas. Veja o lado bom. E tenha certeza que vc será sempre o melhor pai para seu filho simplesmente porque vc se esforça pra isso.

  3. Oi Bruna.
    Infelizmente eu discordo. Não é uma questão de não desgrudar da cria e sim de saúde. Na minha opinião o benefício obtido na escola por uma criança de 1 ano é ínfimo frente ao mal causado pelas doenças que pegam e medicamentos fortes que precisam tomar. Eles tem pelo menos 10-12 anos pra aprender sobre convivio social. Pra mim, lugar de criança menor de 2 anos é em casa.

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